O PESS do nervo pudendo (potencial evocado da pelve) documenta a condução sensitiva da estimulação do nervo dorsal do pênis ou clitóris até o córtex somatossensitivo (captação habitual em Cz′, 2 cm atrás do vértex, referenciado em Fz). A análise diagnóstica baseia-se primariamente na latência da P₁ (P40). É útil na neuropatia pudenda, disfunção esfincteriana e dor pélvica crônica, complementando a ENMG genitoperineal e o reflexo bulbocavernoso (RBC).
PESS cortical (SEP pudendo)
| Parâmetro | Lado D | Lado E | Dif. D–E | Limite | Result. |
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Reflexo bulbocavernoso (RBC) - arco sacral S2–S4
Complementa o PESS para diferenciar lesão central e periférica.
| Parâmetro | Lado D | Lado E | Dif. D–E | Limite | Result. |
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PESS pudendo: latências e interpretação
SEP do nervo pudendo: componente cortical P₁ (P40) com referências Haldeman, Opsomer, Cavalcanti (BR) e reflexo bulbocavernoso (RBC) quando aplicável.
O parâmetro principal é a latência da P₁ (P40) após estimulação genital. A amplitude (complexo P₁–N₁) é menos valorizada isoladamente por ser suscetível a fatores técnicos e anatômicos. A referência de Cavalcanti, Manzano et al. (2007) é particularmente útil em mulheres brasileiras. O reflexo bulbocavernoso (Ertekin, Vodusek, Cavalcanti) complementa o estudo do arco reflexo sacral inferior.
Com Haldeman et al., a série completa Onset–N₃ fica disponível; os limites superiores seguem os valores publicados (M + 2 DP ou cutoff do estudo).
Veja também: PESS mediano e tibial · PESS trigêmeo · PESS cutâneo femoral lateral
Ferramenta de apoio clínico. Não substitui laudo do especialista em neurofisiologia clínica.
Indicações e anatomia funcional
O nervo pudendo (S2–S4) inerva região perineal, genitais externos e esfíncteres. O PESS pudendo quantifica latência da via somatossensitiva até o córtex - útil quando ENMG convencional de membros inferiores é normal mas há sintomas pélvicos. Indicações: incontinência urinária/fecal, disfunção erétil ou anorgasmia neuropática, dor pélvica crônica, neuropatia iatrogênica pós-cirurgia pélvica e síndrome do canal de Alcock.
Protocolo técnico
Estimulação: eletrodo de anel ou estimulador padronizado na região genital (dorsal do pênis/clitóris ou labial, conforme protocolo). Captação cortical em Cz'–Fz ou derivación equivalente. O complexo P₁ (P40) é o parâmetro principal; amplitude é secundária por variabilidade técnica. Registre ambos os lados. O reflexo bulbocavernoso (RBC) complementa o arco reflexo sacral (estímulo dorsal do pênis → resposta no bulbocavernoso ou anal externo).
Referências normativas
Haldeman et al. e Opsomer et al. estabeleceram latências em homens europeus. Cavalcanti, Manzano et al. (2007) publicaram valores em mulheres brasileiras - referência preferencial em pacientes femininos no Brasil. Compare latência absoluta e assimetria interlado (> 2 ms ou > 20% conforme série). Série completa Onset–N₃ (Haldeman) permite análise de componentes precoces e tardios.
Interpretação clínica
- Latência P₁ prolongada unilateral: neuropatia pudendo ou lesão raiz S2–S4 ipsilateral.
- Assimetria significativa: favorece mononeuropatia (canal de Alcock, trauma obstétrico unilateral).
- PESS normal + RBC ausente: investigar lesão do arco reflexo (fascículos efetores ou musculatura alvo).
- PESS e RBC alterados bilateralmente: polineuropatia, radiculopatia sacral difusa ou neuropatia autonômica.
Correlacione com EMG de esfíncter anal externo, bulbo-cavernoso e estudo urodinâmico quando indicado. Limitações: variabilidade técnica, ansiedade do paciente e dificuldade de estimulação padronizada - repita registros se resultado limítrofe.
Perguntas frequentes
PESS pudendo avalia o quê?
Integridade da via somatossensitiva pudendal relevante em disfunção pélvica, incontinência e neuropatia pudendal.
Quais referências brasileiras existem?
Cavalcanti et al. e protocolos locais complementam Haldeman e Opsomer para latências pudendais.